Relato da WebBr 2013 – parte 1

Atualmente é difícil começar um relato de um evento que não seja instantâneo. Todo mundo tuita e, na hora, está tudo no ar.

Não dá tempo de digerir, nem pensar. Viu, viu, tuitou, instagramou…não se fala mais nisso. Notícia velha.

Eu estou ficando velha, e não acredito muito nisso. Primeiro porque eu preciso colocar essas referências em algum lugar para, quanto mais tarde, for procurar as fontes, apresentações, nomes de pessoas. Sou da velha guarda, não tenho conta no Storify ou Instagram. Whatsapp? Não, me envia um sms, por favor.

Sempre pensei na web como algo utilitário. A raiz da sobrevivência da humanidade nessa piscada de tempo que estamos aqui está na disseminação do conhecimento, da informação. Acredito que uma Web aberta pode salvar a civilização humana de um fim quase certo.

Mas divago…

A Conferência Web do W3C costuma ser recheada de especialistas na área. E é de longe, o evento anual mais acessível a bolsos curtos e com o melhor custo-benefício. Eu aconselho veementemente que quem é da área, ou estuda para ser, vá no evento todos os anos. Vale a pena.

Esse ano, o que interessava para mim era o HTML5 e o CSS3 que vão sair, possivelmente, do estado de rascunho para recomendação ano que vem – em 2014. Outro objetivo, era um experimento social: podemos levar crianças a eventos?

Quietinhas na WebBr2013

Mais informações desse experimento no Blogdpi em breve.

Bom, vamos aos relatos das palestras:

Chegamos atrasados (pegamos um ônibus errado na República), mas a tempo de pegar o fechamento da fala do Vagner Diniz e a tempo de ver a Keynote Speaker Fernanda Weiden com um relato autobiográfico de “Web para todos: a internet é fundamental para a democracia.” Apesar de gostar muito do relato, senti falta do lado mais inspirados dado pelo Luli Radfharer ano passado. Não foi algo para se ver adiante, mas relembrar o passado.

(O que me faz pensar que eu devia ter tido a mesma atitude dela: pedido para ir para uma escola pública e, com o dinheiro poupado, conseguir um computador.)

Keynote Speaker: A Evolução dos Sistemas de Informática e Web no Brasil - Fernanda Weiden

Mas águas passadas não movem moinhos. O Brasil (os brasileiros) precisam começar a discutir a web, ao invés de apenas consumi-la.

Hora do Coffee, hora de rever amigos. Adoro os Coffee Breaks do W3C. Tem sempre um monte de coisinhas gostosas e todo mundo sai mais satisfeito para a segunda bateria de palestras da manhã. Eu e Tiago nos separamos, e fui com a Alice para sala CANVAS.

A primeira palestra era de Fellyph Cintra – Criando aplicações de alta performance em HTML5, onde ele deu várias boas dicas de como aproveitar novos elementos e atributos para otimizar aplicação para dispositivos móveis. Pena que até o momento de eu terminar esse post, a palestra dele ainda não estava disponível.

Público na palestra Criando aplicações de alta performance em HTML5 com Fellyph Cintra

A sessão continuou com a Talita Pagani e a palestra – Desenvolvimento de Jogos com HTML5. Foi uma palestra muito divertida, utilizando muitos memes.

Apesar de tentador, ainda não consegui pensar em um aplicativo mobile ou jogo onde possa aplicar essas conhecimentos.
Hora do almoço, saímos do Centro de Convenções com um grupo. Depois do almoço começamos conversar sobre diversos assuntos ligados a web, a liberdade e…nos atrasamos.

Cheguei no final das apresentações da CANVAS. Olhei o programa e vi que nada teria para ver na segunda parte depois do intervalo. Sai e Tiago ia saindo da SECTION, eele me chamou e apresentou o Deivid Marques, que falava de Wai Aria. Foi a hora que distribuí o jogo para as pessoas que estavam ali: o Filipe que trabalha na identidade de Governo, o próprio Deivid e o Leo da LaraMara que estava com o Tiago (estou devendo os svgs para ele). Sobrou um, que dei de presente para Vanessa Me Tonini.

Tiago foi para a sala CANVAS e eu fiquei na SECTION. A sala estava lotada e muito muito quente. A custo consegui um lugar perto do projetor. Estava cética do que dois caras da Globo teriam a falar sobre HTML5, mas o Reinaldo Ferraz havia me dito que os caras eram bons. Ele estava certo. As duas palestras HTML5: Seu browser no Plano Astral de Caio Gondim e CSS Layout: o ontem, o hoje e o depois do Almir Filho (ambos do Loop Infinito) foram perfeitas para mostrar o que o HTML5 e o CSS3 pode fazer.

Acaba a palestra e muita gente levanta. É hora daquele assunto chato chamado ACESSIBILIDADE. Apesar de ser mostrada como importante em várias palestras, as pessoas ainda reagem como se falássemos de matemática.

Alê Borba não traz uma apresentação mas um discurso. Talvez um dos discursos mais duros que eu tenha ouvido sobre acessibilidade. Fiquei na duvida se gostara ou não, se esse é um discurso efetivo ou não. Tenho minhas dúvidas, mas o Leonardo comentou que o Alê tinha falado tudo que ele queria falar, então…

Então eu fiquei encafifada. É claro que várias pessoas que trabalham com acessibilidade estão cansadas com os poucos resultados obtidos e tivemos duas (Mac e Bechara) num espaço muito curto de tempo. No entanto acho que temos que fazer uma auto-crítica da nossa estratégia e levar em conta que o empresariado brasileiro está longe de ser formado pelas pessoas mais brilhantes da face da terra. Ainda acho que capacitar é o melhor caminho. E temos uma classe C tateando no meio digital e ela precisa também de uma web mais auto-explicativa, ou seja, acessível. E tivemos nossas pequenas vitórias. O fato de eu ver pessoas mais novas que eu falando de acessibilidade, e bem mais pessoas falando sobre isso do que no ano passado eu considero um ganho.

E assim terminados um dia. As gurias estavam cansadas de ficarem paradas e eu com um principio de dor-de-cabeça. Era hora de ver amigos e conhecer um pouco mais de São Paulo.