Walker Travels

Capa do livro

Eu estava, há dois anos atrás, na cozinha do Heli quando vi um cartão postal. A composição não me chamou muito a atenção, mas as cores…
– Lembra do Edson?
– Não – respondi (com Heli posso ser sincera) – não lembro
Então Heli começa a me contar o que o Edson fazia. Me veio a imagem de um menino com uma pinta no rosto e cabelo castanho revolto. Não sei ainda se era ele ao certo.
Bom, o Edson Walker (esse é o nome dele), resolveu virar andarilho. Eu costumo dizer que o curso de desenho industrial te prepara para ser qualquer coisa, de ilustradores a fotógrafos, passando por animadores e desenhadores de embalagens, mas andarilho… acho que é o primeiro.

Talvez antes de crowdfunding virar uma palavra da moda, o Edson recebia uma ajuda financeira mensal dos amigos, em troca, ele mandava um postal.
Heli me contou outras coisas aquele dia e cheguei a me interessar pelo projeto, mas a ideia arrefeceu.

Quando o livro “Pra lá de Marrakesh” foi lançado, cheguei a pensar em comprar, mas… mais uma vez deixei pra lá.

Não sei bem ao que me levou, talvez um post dele falando sobre sua mãe, talvez o dinheiro extra que sobrou mês passado e me permitiu participar de algumas iniciativas, ou o fato das gurias estarem crescendo e o bichinho da mochila estar a me coçar novamente (se bem que perto das viagens do Edson, as minhas são quase uma ida a padaria da esquina). Resolvi comprar o livro e fazer uma assinatura da revista dele.

O livro chegou hoje. Ainda não li inteiro, mas ele está bem cotado no Skoob. Parti para a introdução e li algumas passagens. O livro é bem diagramado (poderia ter uma margem externa maior – e colunas menores, não muito, mas o texto se acomodaria melhor) e uma boa escolha de fotos, mas o que conta é o texto.

É bom avisar, se alguém comprar o livro procurando dicas de onde se hospedar, preços, comprinhas, esse não é o livro certo.

“Pra lá de Marrakesh” é um diário de viagem quase contemplativo. É um livro gostoso de ler (das partes que peguei até o momento) e se fica com o gosto – “porque ele não contou um pouquinho mais aqui”? Na introdução, ele se diz preocupado com o texto, não deveria.

Deveria escrever mais.

PS: Em 1999 eu tinha um site chamado “desenhista aprendiz”. Durante o seu período de existência e recebia emails de pessoas que queria fazer desenho industrial mas tinham medo do futuro ou estavam sendo “aconselhadas” pelos seus pais a seguir uma carreira “mais lucrativa”. Nas minhas respostas eu sempre falava que as pessoas deviam seguir seus sonhos, pois essa é a melhor maneira de ser feliz e ter sucesso. De que adianta ser um médico sentado na grana que mal olha os pacientes na cara? De que cada segunda é um sacrifício sair da cama? O tempo passou e quase 15 anos depois dessas respostas posso dizer que continuo certa de que perseguir seus sonhos vale mais a pena que um carro zero na garagem. Ninguém nasce para viver o sonho do outro.