Resumo nada perfeito de 2012

Tenho enrolado para fazer um balanço de 2012. Foi uma ano comprido e um tanto desgastante sob o ponto de vista profissional.

Desgastante não apenas pelo volume de trabalho, mas pelo eterno bater com o punho nos pregos da burocracia. Nunca, como esse ano, me pareceu tão difícil fazer algo andar. Outro pronto que me exasperou foi a falta de tempo para poder pesquisar, desenhar, criar. Tentei trabalhar cada dia um pouquinho. Tentei me organizar, trabalhei nas férias. Mas ainda assim, não consegui, mais uma vez, fazer uma série de coisas que gostaria de ter feito.

Isso foi bem frustrante e, no final do ano, lá por setembro, quase pedi demissão para…poder trabalhar. Decisão difícil, pois gosto dos projetos que estou envolvida. Gosto de ver como a equipe do departamento cresceu (não em tamanho, em qualidade) desde 2010. Os projetos, padrões que mantemos, que desenvolvemos, são inovadores na administração pública, alguns com ideias tão inovadoras – como o Guia de Serviços – que precisaram de 5 anos para que o que tinha sido vislumbrado em 2007 começasse a tomar forma em 2012. O Guia, lançado em maio, ainda é uma promessa do que ele pode ser, mas já tem mostrado seu potencial quando bateu, ainda em 2012, nossas metas de acesso em 2015. Sim, fomos modestos e cautelosos.

Mas antes, o ano começou atribulado, atropelados pela implementação da Lei de Acesso a Informação. Foi processo exaustivo e do qual, apesar dos acertos e das boas amizades feitas, da certeza de se fazer o certo, várias vezes me senti no meio da fumaça tateando uma saida. Não foi um processo do qual eu sai sem cicatrizes. Mas conseguimos que na maioria dos órgãos a roda não fosse recriada, e que as informações já presentes nos sítios institucionais fossem organizadas de acordo com o que era preconizado na pela LAI, sem a necessidade de criação e contratação de hotsites. No final não posso esquecer de como foi bom conhecer melhor o ministério onde trabalho, as diferentes pessoas e suas histórias.

Jurados do premio

No meio desse tumulto ainda fui jurada do Prêmio Nacional Todos@Web e a participar do Grupo de Trabalho de Acessibilidade na Web, ambos do W3C. Conheci projetos maravilhosos como o do Rio das Ostras e outras pessoas igualmente maravilhosas como o Hudson. Passar um dia inteiro dentro do memorial da América Latina foi tanto cansativo quanto estimulante. Várias pessoas novas e rever pessoas a quem gostaria de já chamar de amigos. Por várias vezes, no dia do julgamento e premiação me senti uma aluna perdida no primeiro dia de aula. Ao mesmo tempo que eu me maravilhava com alguns dos projetos que via me sentia inadequada em julgar pessoas que sabiam de acessibilidade, trabalharam com acessibilidade, lutaram pela acessibilidade muito mais que eu.

fotos com todos os consultores da DGE

Esse foi um ano que eu tentei seguir o que a Leda Spelta uma vez me falou, de que o e-MAG precisava de uma voz. Eu sempre evitei aparecer exatamente porque a acessibilidade, os padrões como o e-MAG ou o e-PWG não podem ser pessoalizados. Um dia eu saio e o e-MAG vira o trabalho da Fernanda e ele vai para a gaveta. E não é isso, o e-MAG não foi ideia minha, mas lago que adotei como outras pessoas o fizeram:além das 30 pessoas que trabalham no DGE, sendo dessas 10 consultores com o e-MAG e acessibilidade na ponta da língua (alguns com mais propriedade que eu, e eles avaliaram mais de 56 sítios, além de começarem a alçar voos mais altos como palestras e treinamentos. Uma das palestras que assisti, arrancou lágrimas da platéia). Ainda temos todos os professores e bolsistas da RENAPI que trabalharam conosco no e-MAG 3.0 e todas as pessoas da consulta pública. E aqui cito apenas as pessoas que conheço, sei que há várias outras que utilizam as cartilhas como o Ícaro de Rio da ostras. Ter provas que seu trabalho realmente deu alguma contribuição para o mundo se tornar um pouquinho melhor faz meu coração das pulos de alegria.

Bom, toda essa volta foi para explicar o porquê eu aceitei a dar aquela entrevista na NBR. Outra razão me moveu a ir ao Encontro do DOSVOX. Curiosidade sobre a ferramenta, seu público, conhecer melhor o Antonio Borges. Enquanto andava por lá, com meu caderno, tive certeza de ter acertado em não fazer um powerpoint. Com alguns pontos anotados, falei quase de improviso, contando como tinha me envolvido com acessibilidade e tentando explicar de forma clara de como precisávamos que houvesse cobrança do público pelo meios oficiais para que o governo tomasse consciência da necessidade da acessibilidade na web. E, claro, expliquei os caminhos, indiquei as urls e esclareci as competências de cada órgão. Já no SECOP as conversas com o Reinaldo e o Leonardo e rever velhos colegas de Procergs ajudaram a enfrentar uma sala quase vazia na hora da palestra de acessibilidade.

No susto na oficina 7masters

Já a Conferência Web W3C Brasil mais que o compromisso, foi afofar o meu lado nerd. Só a palestra de abertura com o Luli já foi um refresco para o cérebro. Pena que, na época, eu estava quase jogando a toalha e pedindo um tempo. Lá o GT de acessibilidade lançou a Pesquisa sobre uso de Tecnologias Assistivas: Ampliadores e leitores de tela e eu acabei dando uma palestra no susto no 7masters – substituindo o Horácio Soares (lembrando, da próxima vez que formos num fliperama, temos que levar o Reinaldo Ferraz também).

Nesse entremeio, uma brincadeira/iniciativa do nosso departamento (pegar as barras oficiais lançadas pela SECOM e melhorar o código, num rally amigável entre eu e o Thiago), tornou contornos sérios. Thiago criou um gerador da barra, que passou a ser referenciado pela SECOM. Os desdobramentos dessa inciativa ainda vão surgir em 2013, e eu realmente estou animada com isso.

oficina de acessibilidade no Consegi 2012 LOTADA!

Quase no fim do ano, acabei indo para o Consegi e tive gratas surpresas lá. Conheci diversas iniciativas de tecnologias assistivas, reencontrei o Antonio Borges e conheci o Edinamar da Prodepa (o Pará tem 30% de páginas acessíveis). Vendo o trabalho realizado pelo Edinamar e lembrando do trabalho do Ícaro, cheguei a conclusão de que é preciso educar, desde a base profissional, em acessibilidade. Ainda não sei que papel, que forma podemos tornar o que o Ícaro e o Edinamar fazem, numa prática comum em todo Brasil, mas acho que até o final de 2013 vamos ter um rumo.

Por fim, no final dos 45 minutos de 2012, conseguimos terminar mais uma etapa de um processo: o documento do Comparativo de Sistemas de Gestão de Conteúdo foi finalmente posto em Consulta Pública.

prototipos em papel

Eu realmente preciso de uma sabático para por muitas ideias no lugar. Mas me sinto como um surfista que no meio da maior onda de sua vida, sente vontade de fazer pipi. Por hora vou ficando, pois pode ser que a vontade passe.