Hackaton – Camara dos deputados.

Cheguei em casa depois do trabalho. Tinha um tempinho antes do Krav-magá, dava para fazer um lanche, cuidar da Mila e ver um pouco de TV. Coloquei na Camara dos deputados. Estava dando o especial do Hackaton da Camara dos Deputados (o vídeo pode ser no site da Tv Câmara). Sentei e comecei a assistir. Foram selecionadas 27 sugestões de aplicativos para aumentar a transparência na divulgação do trabalho parlamentar. O vídeo cobre a fase final entre 29 de outubro e 1º de novembro.

Diversas pessoas sentadas a mesas, desenvolvendo seus aplicativos.

APPs e sites utilizando dados abertos pelo governo são uma onda que vem de algum tempo. Elas produzem em um tempo muito menor (e com um custo igualmente pequeno), aplicativos e serviçs que poderiam, deveriam ser abraçados pelos governos e adotados pelos cidadãos.

O problema é, como tudo que se relaciona a governo e tecnologia. Isso costuma ficar preso ao conhecimento de um pequeno grupo. Outro ponto que vejo é que depois do Hackaton, não há um depois. Como o órgão, governo, município, incorpora essa nova forma de trabalho a seu arcabouço de conhecimento. Ou, o que é pior, as vezes deixa de fornecer os dados, matando a aplicação pela falta de fornecimento de dados continuamente atualizados.

Não encontrei uma lista completa dos projetos selecionados, mas passo a lista dos vencedores. Todos eles merecem receber apoio e ter seus projetos continuados.

  1. Meu Congresso nacional: O site tem como público alvo tanto a população em geral, que queira acompanhar mais de perto o mandato dos parlamentares, como órgãos de controle e fiscalização, que podem utilizar o mesmo como uma ferramenta de apoio na detecção de irregularidades.
  2. Monitora Brasil! – app para celulares que possibilita o acompanhamento da assiduidade dos deputados e dos projetos propostos, organiza rankings, lista de twitters e outras informações relativas ao mandato.
  3. Deliberatório – é um jogo de cartas que simula o processo de discussão e deliberação das proposições na Câmara dos Deputados. Ao contrário dos outros projetos, é um jogo em papel. Muito interessante e poderia servir para mostrar para estudantes, por exemplo, como funciona nosso processo legislativo.

Atualização: Achei uma notícia no site da Câmara: Divulgados os vencedores do Hackathon, a maratona hacker promovida pela Câmara, onde esta acena com a possibilidade de incorporação dos aplicativos.

Há bons livros de graça na internet

banner do MET publications

Tem pessoas que reclamam do preço de livros. Tem pessoas que dizem que livros ocupam espaço. Mas também tem bons livros de graça (que nada custam) e que são eletrônicos (não ocupam espaço). Volta e meia alguém me “pinga”uma dica de livros gratuitos para baixar.

Dessa vez eu compartilho. E vou repassando a dica aos poucos.

O MET – Museu Metropolitano de Arte de Nova Yorque, disponibilizou há algum tempo, algumas (muitas) de suas publicações online, algumas dá para baixar o arquivo pdf inclusive. Uma boa fonte de referências.

As Equações de Maxwell e a Acessibilidade

Nos anos 80 passava uma série nas manhãs de sábado: Cosmos. Escrita e apresentado por Carl Sagan, essa série foi responsável por boa parte da minha formação.

Eu realmente adorava a série.

Uma das passagens que lembro de memória – memória de criança – é sobre as equações de Maxwell e a TV. De nada adiantaria que a rainha Elizabeth Vitória gastasse toda sua fortuna na época para que seus cientistas e filósofos inventassem a TV. Para que a TV fosse possível, muitas outras coisas tiveram que ser criadas e descobertas antes. É preciso que exista uma massa crítica de pessoas e conhecimentos para que algumas invenções ou ideias vinguem na no cultura. E isso leva tempo. Muitas vezes mais tempo que a vida de uma pessoa.

Invenções, informações, descobertas demoram a ser assimiladas. Diga isso a Darwin e a evolução, Galileu e o nosso sistema solar. Verdades são como árvores, elas demoram a criar raízes.

A acessibilidade começou a ser tratada como algo importante ha pouco tempo. Na verdade, se for contar como um marco inicia a luta dos ex-combatentes do Vietnã, eu já tinha nascido e já assistia TV. É muito pouco tempo. E até pouco tempo atrás, não existia internet. Quando saí da casa dos meus pais, aos 23 anos, a internet ainda era discada e continuou assim por um bom tempo. Ninguém tinha muita ideia do que fazer com essa nova tecnologia, então, foi-se experimentando. Algumas coisas foram legais, outras nem tanto. Como toda tecnologia nova, ela deu início a uma série de outras, e isso não acabou ainda.

Mas o primeiro movimento em busca de uma web de todos é, olha, de 1998. No Brasil, 2004, quase 2005. E a acessibilidade foi vista como um filão comercial por pouco visionários, como Steve Jobs, mais ou menos nessa época. Garanto que o iPhone – um dos telefones mais acessíveis que eu conheço – não é assim porque o Steve era um cara bonzinho.

A tecnologia, em especial a Web, vai levar muitas dessas pessoas – hoje dadas como cidadãos de segunda linha – para a frente de trabalho e mercado. Há grandes nichos de mercados inexplorados, empregos a serem criados e vagas a serem preenchidas. Há muito trabalho a fazer.

E para tanto, necessitamos de capacitação. É necessário que o conhecimento, as informações sobre acessibilidade sejam passadas assimiladas por todos (ou por um grande número de pessoas). Talvez nem todos precisem saber como aplicar a acessibilidade, mas elas devem saber que isso é importante. Tão importante quanto vacinar seus filhos, tão presente quanto a TV da sala. Tão trivial quanto dizer “Bom dia!”

Capacitar, informar pessoas não é uma tarefa trivial. Não só pela quantidade de pessoas que existem no mundo (são muitas!), mas convencê-las de que essa informação é util e deve ser aplicada no seu dia-a-dia, no seu trabalho. Como convencer essas pessoas?

Nesse ponto, acredito que o papel do professor – aquela pessoa que inspira, não “aquela que dá aulas” – é essencial. E é algo que me vem preocupando por esses dias. É bom ver caras novas, é bom saber que você está ficando velho no assunto. Mas não é bom ver amigos, colegas, desolados, amargurados, decepcionados com a falta de acessibilidade em nossos sítios e falta de interesse de algumas pessoas. Talvez a perda de duas pessoas muito queridas tenha agravado esses sentimentos.

O que eu gostaria de dizer para todos eles: calma.

Talvez não consigamos uma web para todos no nosso período de vida, mas podemos ensinar, capacitar pessoas que continuem o trabalho. A tecnologia continuará evoluindo e é importante que ela evolua incluindo a todos. Um dia teremos um mundo mais acessível a todos, possivelmente não estaremos vivos para ver isso, mas será legal se despedir pensando que fizemos a nossa parte. Acredito que a acessibilidade um dia será algo tão corriqueiro quanto é hoje o uso do celular. Mas para isso acontecer, muito trabalho – sem uma recompensa visível a curto prazo – ainda deve ser feito.

Não trabalhe pensando no hoje, ou no amanhã. Trabalhe para o futuro, inspire as pessoas.

Relato da WebBr 2013 – parte 1

Atualmente é difícil começar um relato de um evento que não seja instantâneo. Todo mundo tuita e, na hora, está tudo no ar.

Não dá tempo de digerir, nem pensar. Viu, viu, tuitou, instagramou…não se fala mais nisso. Notícia velha.

Eu estou ficando velha, e não acredito muito nisso. Primeiro porque eu preciso colocar essas referências em algum lugar para, quanto mais tarde, for procurar as fontes, apresentações, nomes de pessoas. Sou da velha guarda, não tenho conta no Storify ou Instagram. Whatsapp? Não, me envia um sms, por favor.

Sempre pensei na web como algo utilitário. A raiz da sobrevivência da humanidade nessa piscada de tempo que estamos aqui está na disseminação do conhecimento, da informação. Acredito que uma Web aberta pode salvar a civilização humana de um fim quase certo.

Mas divago…

A Conferência Web do W3C costuma ser recheada de especialistas na área. E é de longe, o evento anual mais acessível a bolsos curtos e com o melhor custo-benefício. Eu aconselho veementemente que quem é da área, ou estuda para ser, vá no evento todos os anos. Vale a pena.

Esse ano, o que interessava para mim era o HTML5 e o CSS3 que vão sair, possivelmente, do estado de rascunho para recomendação ano que vem – em 2014. Outro objetivo, era um experimento social: podemos levar crianças a eventos?

Quietinhas na WebBr2013

Mais informações desse experimento no Blogdpi em breve.

Bom, vamos aos relatos das palestras:

Chegamos atrasados (pegamos um ônibus errado na República), mas a tempo de pegar o fechamento da fala do Vagner Diniz e a tempo de ver a Keynote Speaker Fernanda Weiden com um relato autobiográfico de “Web para todos: a internet é fundamental para a democracia.” Apesar de gostar muito do relato, senti falta do lado mais inspirados dado pelo Luli Radfharer ano passado. Não foi algo para se ver adiante, mas relembrar o passado.

(O que me faz pensar que eu devia ter tido a mesma atitude dela: pedido para ir para uma escola pública e, com o dinheiro poupado, conseguir um computador.)

Keynote Speaker: A Evolução dos Sistemas de Informática e Web no Brasil - Fernanda Weiden

Mas águas passadas não movem moinhos. O Brasil (os brasileiros) precisam começar a discutir a web, ao invés de apenas consumi-la.

Hora do Coffee, hora de rever amigos. Adoro os Coffee Breaks do W3C. Tem sempre um monte de coisinhas gostosas e todo mundo sai mais satisfeito para a segunda bateria de palestras da manhã. Eu e Tiago nos separamos, e fui com a Alice para sala CANVAS.

A primeira palestra era de Fellyph Cintra – Criando aplicações de alta performance em HTML5, onde ele deu várias boas dicas de como aproveitar novos elementos e atributos para otimizar aplicação para dispositivos móveis. Pena que até o momento de eu terminar esse post, a palestra dele ainda não estava disponível.

Público na palestra Criando aplicações de alta performance em HTML5 com Fellyph Cintra

A sessão continuou com a Talita Pagani e a palestra – Desenvolvimento de Jogos com HTML5. Foi uma palestra muito divertida, utilizando muitos memes.

Apesar de tentador, ainda não consegui pensar em um aplicativo mobile ou jogo onde possa aplicar essas conhecimentos.
Hora do almoço, saímos do Centro de Convenções com um grupo. Depois do almoço começamos conversar sobre diversos assuntos ligados a web, a liberdade e…nos atrasamos.

Cheguei no final das apresentações da CANVAS. Olhei o programa e vi que nada teria para ver na segunda parte depois do intervalo. Sai e Tiago ia saindo da SECTION, eele me chamou e apresentou o Deivid Marques, que falava de Wai Aria. Foi a hora que distribuí o jogo para as pessoas que estavam ali: o Filipe que trabalha na identidade de Governo, o próprio Deivid e o Leo da LaraMara que estava com o Tiago (estou devendo os svgs para ele). Sobrou um, que dei de presente para Vanessa Me Tonini.

Tiago foi para a sala CANVAS e eu fiquei na SECTION. A sala estava lotada e muito muito quente. A custo consegui um lugar perto do projetor. Estava cética do que dois caras da Globo teriam a falar sobre HTML5, mas o Reinaldo Ferraz havia me dito que os caras eram bons. Ele estava certo. As duas palestras HTML5: Seu browser no Plano Astral de Caio Gondim e CSS Layout: o ontem, o hoje e o depois do Almir Filho (ambos do Loop Infinito) foram perfeitas para mostrar o que o HTML5 e o CSS3 pode fazer.

Acaba a palestra e muita gente levanta. É hora daquele assunto chato chamado ACESSIBILIDADE. Apesar de ser mostrada como importante em várias palestras, as pessoas ainda reagem como se falássemos de matemática.

Alê Borba não traz uma apresentação mas um discurso. Talvez um dos discursos mais duros que eu tenha ouvido sobre acessibilidade. Fiquei na duvida se gostara ou não, se esse é um discurso efetivo ou não. Tenho minhas dúvidas, mas o Leonardo comentou que o Alê tinha falado tudo que ele queria falar, então…

Então eu fiquei encafifada. É claro que várias pessoas que trabalham com acessibilidade estão cansadas com os poucos resultados obtidos e tivemos duas (Mac e Bechara) num espaço muito curto de tempo. No entanto acho que temos que fazer uma auto-crítica da nossa estratégia e levar em conta que o empresariado brasileiro está longe de ser formado pelas pessoas mais brilhantes da face da terra. Ainda acho que capacitar é o melhor caminho. E temos uma classe C tateando no meio digital e ela precisa também de uma web mais auto-explicativa, ou seja, acessível. E tivemos nossas pequenas vitórias. O fato de eu ver pessoas mais novas que eu falando de acessibilidade, e bem mais pessoas falando sobre isso do que no ano passado eu considero um ganho.

E assim terminados um dia. As gurias estavam cansadas de ficarem paradas e eu com um principio de dor-de-cabeça. Era hora de ver amigos e conhecer um pouco mais de São Paulo.