Enfim…doutorado

Em 2015 (junho?) fui exonerada do Ministério do Planejamento. Duas semanas depois soube da abertura da seleção de doutorado na UFRGS. Possibilidade de estudar e me dedicar a achar respostas a perguntas que eu tinha. Passei em segundo ;). Fiz 3 meses de disciplina longe de casa, longe das filhas (nunca mais faço isso). Voltei para Brasilia, fui aluna especial na UnB e…golpe.

Golpe.

Resolvemos voltar pro sul. Tiago assumiu a pousada da família e eu teria tempo para me dedicar ao doutorado. Duas semanas em Gramado e recebi a noticia da bolsa que me permitiria ter um certo conforto para desenvolver o projeto. Conversa séria com a orientadora.

Agora vou dois dias da semana para Porto Alegre como parte dos meus compromissos com o doutorado. Quero qualificar ainda ano que vem, então tenho que me empenhar. Tenho mantido um diário em papel de tudo que tenho visto que talvez sirva para o doutorado.

Por hora o tema é “Serviços Públicos Eletrônicos para Pessoas de Baixo Letramento”. Tenho pesquisado as áreas de design social (Gui Bonsiepe) e design de serviços. Defini um publico alvo para alguns experimentos: mães chefes de família, com filhos em idade escolar. Ainda tenho muitas duvidas, mas a cada semana sinto mais certeza do que quero fazer. O que me perturba são as condições de teste. Queria pegar serviços estaduais e municipais mas, dado o resultado das últimas eleições, acho difícil ter trânsito com os órgãos responsáveis e rodar alguns pilotos. Mas vamos manter a esperança em alta e a cabeça funcionando (planos B, C, D)…

Acho engraçado que, enquanto estive fora da área acadêmica, áreas foram fragmentadas em superespecializações como UX, HCI, usabilidade…com diferenças tão sutis quanto controversas. Tive uma formação generalista e para mim é estranho (e um tanto engraçado), como essas “especialidades” brigam por cada micromilímetro de suas atividades.

Voltando, foi uma grata surpresa descobrir que a origem do design social é brasileira. Gui Bonsiepe é gringo, mas suas teorias foram desenvolvidas e ganharam corpo aqui. E não é pouco, para quem acha que designer deve ser um ser desconectado da realidade, deveria ler Design e Crise, escrito em 2012.

Outra grata surpresa foi descobrir que posso usar a palavra “empoderamento” sem medo de parecer hipster ou “holístico” sem parecer nova era demais, graças aos trabalhos da Andrea e do Marcelo Júdice, que misturaram o design participativo alemão com Paulo Freire e que me apontaram um norte para minha pesquisa. Sobre o trabalho dos dois, prometo uma resenha.

Ler Paulo Freire é como ouvir um amigo que tem ideias semelhantes as suas, mas as diz de uma forma muito mais clara e amigável.

Resumindo, me sinto super feliz em poder usar Paulo Freire e Gui Bonsiepe como parte da base da minha tese. E agora espero poder ir contando um pouco sobre o doutorado semana a semana.