Financiamento Coletivo – como ficar rico

Ou, pelo menos, ser o “mecenas” de alguém.

O financiamento coletivo (crowdfunding) é uma forma de diversas pessoas apoiarem projetos sociais, artísticos, culturais, tecnológicos, entre outros.

A Web – sempre ela – permitiu uma escala nesse modelo de cooperação (podemos chamar assim?), não possível até pouco tempo atrás. Até me pergunto,como demoramos tanto?

Quem nunca quis ajudar em algum grande projeto, ou passou por um prédio abandonado e pensou que uma escola poderia funcionar lá…ou ainda reformar um antigo conservatório? Evitar que tradições tão regionais quanto obscuras não fosse varridas do mapa? Conhecer sua história e saber o nome de pessoas cujas obras você via diariamente na sua infância? Ou simplesmente, sustentar e dar apoio ao trabalho de pessoas que você acredita?

Confesso que viciei no financiamento coletivo.

Adoro entrar – todo final de mês – no Catarse (o Tiago prefere o Kickstarter onde já apoiou alguns jogos e um livro) e selecionar algum projeto que me interesse. Restringi a uma quantia de R$200,00 para me divertir, nem sempre encontro algo que chame a atenção, nem sempre a recompensa é o que eu gostaria (diversas vezes me peguei querendo contribuir mais por uma recompensa menor). Mas sempre tem projetos interessantes. Tenho minhas preferências, bem visíveis, por trabalhos de quadrinhos e ilustração.

O que eu já apoiei no catarse

E acho que sou pé quente, até porque até hoje apenas um dos financiamentos não vingou. E sabe o que é mais legal? – ou tão legal quanto? – é receber o trabalho daquele cara que vc apoiou com um autógrafo! Nossa! No meu caso, que sou mais tímida de o Luis Fernando Veríssimo, receber um autógrafo pelo correio é maravilhoso! E conhecer quem você sempre viu o trabalho e não sabia? Gosto de dar apoio ao trabalho de história da ilustração no Brasil. Eu não sabia quem era Mariza e que tínhamos uma ilustradora tão …importante, relevante, maluca e forte …até participar do financiamento coletivo (adorei a dedicatória dela ;) )

E o que me motivou a apenas escrever hoje sobre isso? Bom, hoje chegou o Hiroines do Hiro Kawahara, que me deixou pulando de alegria.

Aconselho a quem está a fim de participar dessas empreitadas dar uma olhada no Catarse e no Kickstarter (gringo). A interface do Catarse é super simples e bem amigável e…até o momento, nenhum dos projetos apoiados me decepcionou (isso pode acontecer, mas isso vai te impedir?). O catarse tem uma pesquisa bem legal do retrato financiamento coletivo no Brasil. Ou se tiver um projeto interessante na gaveta, quem sabe, não é a hora de tirá-lo de lá?

Hackaton – Camara dos deputados.

Cheguei em casa depois do trabalho. Tinha um tempinho antes do Krav-magá, dava para fazer um lanche, cuidar da Mila e ver um pouco de TV. Coloquei na Camara dos deputados. Estava dando o especial do Hackaton da Camara dos Deputados (o vídeo pode ser no site da Tv Câmara). Sentei e comecei a assistir. Foram selecionadas 27 sugestões de aplicativos para aumentar a transparência na divulgação do trabalho parlamentar. O vídeo cobre a fase final entre 29 de outubro e 1º de novembro.

Diversas pessoas sentadas a mesas, desenvolvendo seus aplicativos.

APPs e sites utilizando dados abertos pelo governo são uma onda que vem de algum tempo. Elas produzem em um tempo muito menor (e com um custo igualmente pequeno), aplicativos e serviçs que poderiam, deveriam ser abraçados pelos governos e adotados pelos cidadãos.

O problema é, como tudo que se relaciona a governo e tecnologia. Isso costuma ficar preso ao conhecimento de um pequeno grupo. Outro ponto que vejo é que depois do Hackaton, não há um depois. Como o órgão, governo, município, incorpora essa nova forma de trabalho a seu arcabouço de conhecimento. Ou, o que é pior, as vezes deixa de fornecer os dados, matando a aplicação pela falta de fornecimento de dados continuamente atualizados.

Não encontrei uma lista completa dos projetos selecionados, mas passo a lista dos vencedores. Todos eles merecem receber apoio e ter seus projetos continuados.

  1. Meu Congresso nacional: O site tem como público alvo tanto a população em geral, que queira acompanhar mais de perto o mandato dos parlamentares, como órgãos de controle e fiscalização, que podem utilizar o mesmo como uma ferramenta de apoio na detecção de irregularidades.
  2. Monitora Brasil! – app para celulares que possibilita o acompanhamento da assiduidade dos deputados e dos projetos propostos, organiza rankings, lista de twitters e outras informações relativas ao mandato.
  3. Deliberatório – é um jogo de cartas que simula o processo de discussão e deliberação das proposições na Câmara dos Deputados. Ao contrário dos outros projetos, é um jogo em papel. Muito interessante e poderia servir para mostrar para estudantes, por exemplo, como funciona nosso processo legislativo.

Atualização: Achei uma notícia no site da Câmara: Divulgados os vencedores do Hackathon, a maratona hacker promovida pela Câmara, onde esta acena com a possibilidade de incorporação dos aplicativos.

Há bons livros de graça na internet

banner do MET publications

Tem pessoas que reclamam do preço de livros. Tem pessoas que dizem que livros ocupam espaço. Mas também tem bons livros de graça (que nada custam) e que são eletrônicos (não ocupam espaço). Volta e meia alguém me “pinga”uma dica de livros gratuitos para baixar.

Dessa vez eu compartilho. E vou repassando a dica aos poucos.

O MET – Museu Metropolitano de Arte de Nova Yorque, disponibilizou há algum tempo, algumas (muitas) de suas publicações online, algumas dá para baixar o arquivo pdf inclusive. Uma boa fonte de referências.

As Equações de Maxwell e a Acessibilidade

Nos anos 80 passava uma série nas manhãs de sábado: Cosmos. Escrita e apresentado por Carl Sagan, essa série foi responsável por boa parte da minha formação.

Eu realmente adorava a série.

Uma das passagens que lembro de memória – memória de criança – é sobre as equações de Maxwell e a TV. De nada adiantaria que a rainha Elizabeth Vitória gastasse toda sua fortuna na época para que seus cientistas e filósofos inventassem a TV. Para que a TV fosse possível, muitas outras coisas tiveram que ser criadas e descobertas antes. É preciso que exista uma massa crítica de pessoas e conhecimentos para que algumas invenções ou ideias vinguem na no cultura. E isso leva tempo. Muitas vezes mais tempo que a vida de uma pessoa.

Invenções, informações, descobertas demoram a ser assimiladas. Diga isso a Darwin e a evolução, Galileu e o nosso sistema solar. Verdades são como árvores, elas demoram a criar raízes.

A acessibilidade começou a ser tratada como algo importante ha pouco tempo. Na verdade, se for contar como um marco inicia a luta dos ex-combatentes do Vietnã, eu já tinha nascido e já assistia TV. É muito pouco tempo. E até pouco tempo atrás, não existia internet. Quando saí da casa dos meus pais, aos 23 anos, a internet ainda era discada e continuou assim por um bom tempo. Ninguém tinha muita ideia do que fazer com essa nova tecnologia, então, foi-se experimentando. Algumas coisas foram legais, outras nem tanto. Como toda tecnologia nova, ela deu início a uma série de outras, e isso não acabou ainda.

Mas o primeiro movimento em busca de uma web de todos é, olha, de 1998. No Brasil, 2004, quase 2005. E a acessibilidade foi vista como um filão comercial por pouco visionários, como Steve Jobs, mais ou menos nessa época. Garanto que o iPhone – um dos telefones mais acessíveis que eu conheço – não é assim porque o Steve era um cara bonzinho.

A tecnologia, em especial a Web, vai levar muitas dessas pessoas – hoje dadas como cidadãos de segunda linha – para a frente de trabalho e mercado. Há grandes nichos de mercados inexplorados, empregos a serem criados e vagas a serem preenchidas. Há muito trabalho a fazer.

E para tanto, necessitamos de capacitação. É necessário que o conhecimento, as informações sobre acessibilidade sejam passadas assimiladas por todos (ou por um grande número de pessoas). Talvez nem todos precisem saber como aplicar a acessibilidade, mas elas devem saber que isso é importante. Tão importante quanto vacinar seus filhos, tão presente quanto a TV da sala. Tão trivial quanto dizer “Bom dia!”

Capacitar, informar pessoas não é uma tarefa trivial. Não só pela quantidade de pessoas que existem no mundo (são muitas!), mas convencê-las de que essa informação é util e deve ser aplicada no seu dia-a-dia, no seu trabalho. Como convencer essas pessoas?

Nesse ponto, acredito que o papel do professor – aquela pessoa que inspira, não “aquela que dá aulas” – é essencial. E é algo que me vem preocupando por esses dias. É bom ver caras novas, é bom saber que você está ficando velho no assunto. Mas não é bom ver amigos, colegas, desolados, amargurados, decepcionados com a falta de acessibilidade em nossos sítios e falta de interesse de algumas pessoas. Talvez a perda de duas pessoas muito queridas tenha agravado esses sentimentos.

O que eu gostaria de dizer para todos eles: calma.

Talvez não consigamos uma web para todos no nosso período de vida, mas podemos ensinar, capacitar pessoas que continuem o trabalho. A tecnologia continuará evoluindo e é importante que ela evolua incluindo a todos. Um dia teremos um mundo mais acessível a todos, possivelmente não estaremos vivos para ver isso, mas será legal se despedir pensando que fizemos a nossa parte. Acredito que a acessibilidade um dia será algo tão corriqueiro quanto é hoje o uso do celular. Mas para isso acontecer, muito trabalho – sem uma recompensa visível a curto prazo – ainda deve ser feito.

Não trabalhe pensando no hoje, ou no amanhã. Trabalhe para o futuro, inspire as pessoas.